sábado, 13 de agosto de 2016

Parágrafo - Nosso Programa

O texto "Nosso Programa", de Vilém Flusser aborda as noções da finalística, causalística e  programática. A lógica finalística tem como base o destino, que provém da herança mítica e da tradição religiosa, ela possui um propósito que demanda metas e está relacionada a uma imagem predestinada, o que resulta em um problema relacionado à liberdade humana. Já a lógica causalística tem como princípio as ciências da natureza, que explicam que todo evento é efeito de uma causa e causa de um efeito, e devido à complexidade impenetrável das causas e à imprevisibilidade dos efeitos de um evento, essa lógica possui uma falsa liberdade, pois os eventos já são determinados. Essas duas lógicas, segundo o autor, são extrapolações ingênuas de uma situação concreta: a lógica programática. A visão programática é caracterizada por programas, que são sistemas em que o acaso vira necessidade, isto é, todas as possibilidades, até as menos óbvias, se realizarão necessariamente, dependendo de um tempo mais longo. Nas visões finalística e causalística, não há acaso. Para elas, o acaso é, respectivamente, um propósito e uma causa ainda não descobertos. Mas para a visão programática (também conhecida como visão do absurdo), causa e propósito são acasos ingenuamente interpretados. Além disso, toda explicação dessas duas visões tendem ao fracasso, pois explicam o presente pelo futuro e o presente pelo passado. Em suma, o autor exprime a ideia de que a visão programática não admite outra visão ao seu lado, e devemos assumir o absurdo para emancipar do funcionamento.
Partindo dessa concepção, os professores fizeram uma dinâmica para que entendêssemos melhor essas três visões. Em relação à finalística, os alunos foram colocados em uma fila indiana sem uma ordenação específica, e a cada palma que os professores davam, os alunos deveriam trocar de lugar com o colega a sua direita somente se ele tivesse uma altura menor a fim de que a fila fosse re-organizada por ordem de tamanho. Desse modo, já se sabia qual seria a formação final. Já em relação à causalística, os alunos foram dispostos de pé em um círculo para uma dinâmica de input e output, na qual cada um escolheu uma forma (horizontal ou transversal) de transmitir esses inputs e outputs. Sem contar para a turma sobre sua escolha, cada aluno recebia um input e transmitia um output para seu colega. Apesar de no início não se saber qual era a lógica dessas transmissões, a medida que elas foram sendo passadas já era possível determinar sua lógica. Por fim, em relação à programática, os alunos tomaram posições equidistantes entre si, ficando parados e de pé. Alguns alunos foram selecionados aleatoriamente pelos professores para começar a dinâmica que consistia em circular pelo espaço, tocar em um aluno parado para que ele pudesse se mover e logo em seguida, parar em um lugar a sua escolha à espera de ser tocado por outro aluno. Essa dinâmica foi totalmente ao acaso, uma vez que não era possível prever quais alunos seriam tocados e nem em qual posição eles parariam. Nesse sentido, essa atividade conseguiu deixar bem mais claras as noções da finalística, causalística e programática abordadas por Flusser.

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